{"id":693,"date":"2017-11-24T09:00:44","date_gmt":"2017-11-24T09:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.elogroup.us\/newsite\/?p=693"},"modified":"2018-01-17T23:18:42","modified_gmt":"2018-01-17T23:18:42","slug":"serie-fundadores-2-o-nubank-e-seus-co-founders","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.elogroup.us\/newsite\/serie-fundadores-2-o-nubank-e-seus-co-founders\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie Fundadores #2: o NuBank e seus co-founders"},"content":{"rendered":"<p>Imagine um cart\u00e3o de cr\u00e9dito internacional, com bandeira MasterCard, sem anuidade e uma s\u00e9rie de controles feitos com um simples aplicativo m\u00f3vel extremamente f\u00e1cil de usar. Um produto desligado de institui\u00e7\u00f5es financeiras, bancos ou qualquer outra coisa regulamentada pela enorme burocracia brasileira. Bem-vindo ao NuBank, cujo objetivo \u00e9 repensar a experi\u00eancia dos clientes com cart\u00e3o de cr\u00e9dito atrav\u00e9s do uso de novas tecnologias e design. Por tudo isso, o NuBank se tornou o cart\u00e3o mais cobi\u00e7ado do momento no Brasil.<\/p>\n<h3>A\u00a0HIST\u00d3RIA DA NUBANK<\/h3>\n<p>Tudo come\u00e7ou em meados de 2012 quando um colombiano nascido em Medel\u00edn, David V\u00e9lez, mudou-se dos Estados Unidos para a cidade de S\u00e3o Paulo com a responsabilidade de abrir o escrit\u00f3rio brasileiro do fundo de investimento de risco americano Sequoia Capital, que j\u00e1 investiu em empresas como Apple, Google, Airbnb, Instagram e LinkedIn. Aproximadamente um ano depois, ele deixou o Sequoia Capital para investir em um neg\u00f3cio pr\u00f3prio e se tornar um empreendedor.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, o fundo optou por sair do pa\u00eds sem ter feito um \u00fanico investimento. Foi ent\u00e3o que David, um engenheiro formado e p\u00f3s-graduado na renomada Universidade de Stanford com longa experi\u00eancia no mercado financeiro e de internet, fundou a startup NuBank juntamente com os s\u00f3cios: a engenheira Cristina Junqueira, que tinha acabado de sair do Banco Ita\u00fa onde fora gerente do portf\u00f3lio dos cart\u00f5es Itaucard e o programador americano Edward Wible, hoje CTO da NuBank, no m\u00eas de maio de 2013. O\u00a0time j\u00e1 come\u00e7ou multicultural, algo que \u00e9 mantido e ampliado na empresa at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>A ideia era oferecer um cart\u00e3o de cr\u00e9dito internacional que poderia ser totalmente gerenciado pelo smartphone atrav\u00e9s de um aplicativo. Mas isso demorou um pouco porque, pelo menos em parte, a startup enfrentou dificuldades iniciais para encontrar investidores. Mas V\u00e9lez conseguiu. O principal aporte de dinheiro veio justamente da Sequoia Capital.<\/p>\n<p>O NuBank\u00a0passou ent\u00e3o a oferecer e emitir, em abril de 2014, um cart\u00e3o Platinum (hoje Gold) internacional da bandeira Mastercard. O novo produto foi criado e pensado para consumidores jovens que desejam fazer tudo online e n\u00e3o querem falar com gerentes ou ir em ag\u00eancias para resolver qualquer tipo de problema. Era um cart\u00e3o de cr\u00e9dito com v\u00e1rios diferenciais. Por exemplo, atrav\u00e9s de um aplicativo o NuBank notifica o cliente por celular cada vez que ele faz uma compra, enviando detalhes da transa\u00e7\u00e3o (valor, data, hora, nome do estabelecimento, categoria deste e, sempre que poss\u00edvel, o ponto em um mapa correspondente ao local da compra). O usu\u00e1rio tamb\u00e9m pode gerenciar seus gastos no aplicativo, consultar\u00a0saldo, limite e faturas. Pelo aplicativo tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel recuperar a senha, entrar em contato com o suporte via chat (h\u00e1 um 0800 e um e-mail de atendimento como op\u00e7\u00f5es) e at\u00e9 mesmo bloquear temporariamente o cart\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"page-title\" style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.elogroup.us\/newsite\/curiosidade\/os-10-maiores-co-fundadores-de-sucesso-do-mundo\/\"><span style=\"color: #0000ff;\">Os 10 maiores co-fundadores de sucesso do mundo<\/span><\/a><\/h3>\n<h3>O\u00a0PROBLEMA DO SUCESSO PRECOCE<\/h3>\n<p>A partir do investimento de US$ 2.000.000 da Sequoia e da Kaszek Ventures, as coisas aceleram e ficaram um tanto enlouquecedoras. \u201cA gente chegava a crescer 60% de um m\u00eas para o outro\u201d,\u00a0conta Cris, como \u00e9 conhecida na NuBank. Eles receberam mais tr\u00eas rodadas de investimento, que totalizaram 99 milh\u00f5es de d\u00f3lares at\u00e9 2016. Em dois anos, alcan\u00e7aram a expans\u00e3o prevista inicialmente para os cinco primeiros anos. Este \u00e9 o lado conhecido da hist\u00f3ria: o sucesso arrebatador. O que nem todo mundo sabe \u00e9 que uma expans\u00e3o acelerada tamb\u00e9m tem seus problemas.\u00a0O neg\u00f3cio tomou um porte t\u00e3o inesperado que a responsabilidade extrapolou os resultados. Cris fala a respeito:\u00a0\u201cN\u00e3o podia ser voo de galinha. Muita gente apostava na gente, at\u00e9 mesmo outras empresas, al\u00e9m dos clientes e investidores\u201d.<\/p>\n<p>Ela segue: \u201cTinha ainda os nossos funcion\u00e1rios. Muitos deles largaram empregos est\u00e1veis para vir para c\u00e1. Rola esse sentimento de esperan\u00e7a de que podemos ser melhores, tratar o cliente bem. Todo mundo queria que a gente mostrasse que dava certo fazer diferente\u201d.\u00a0No meio disso tudo, a vantagem da expans\u00e3o r\u00e1pida, ela diz, \u00e9 que o ritmo era t\u00e3o enlouquecedor que n\u00e3o dava nem tempo de\u00a0sentir medo. \u201cEu n\u00e3o podia parar o crescimento, ent\u00e3o n\u00e3o dava para assustar\u201d, conta.<\/p>\n<h3>COMO MONTAR UMA EMPRESA DO ZERO<\/h3>\n<p>A primeira sede do Nubank foi a casa de Edward, na rua Calif\u00f3rnia, em S\u00e3o Paulo. Mas, rapidamente\u00a0o lugar\u00a0ficou insustent\u00e1vel e eles se mudaram para um espa\u00e7o maior, logo depois do Natal de 2014. O novo pr\u00e9dio mal deu conta por seis meses: tinha gente trabalhando at\u00e9 no corredor, times deslocados para um coworking na regi\u00e3o e internet caindo toda hora. \u201cA coisa estava insalubre. Em junho daquele ano j\u00e1 come\u00e7amos a procurar outra sede\u201d, afirma\u00a0Cris.<\/p>\n<p>Encontraram, enfim, o pr\u00e9dio onde est\u00e3o hoje \u2014\u00a0e de onde n\u00e3o pretendem sair t\u00e3o cedo. A mudan\u00e7a para l\u00e1 at\u00e9 que foi mais bem planejada, mas teve tantos problemas que precisou\u00a0acontecer antes do previsto.<\/p>\n<p>\u201cChegamos e n\u00e3o tinha nada, nem cadeira para todo mundo\u201d, lembra ela. Eles foram se acomodando enquanto as obras terminavam.<\/p>\n<h3 class=\"page-title\" style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.elogroup.us\/newsite\/serie-fundadores\/serie-fundadores-1-o-app-lyft-e-seus-co-founders\/\"><span style=\"color: #0000ff;\">S\u00e9rie Fundadores #1: o app Lyft e seus co-founders<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Os nubankers, como s\u00e3o chamados os funcion\u00e1rios, t\u00eam\u00a025 nacionalidades. Mesmo quem n\u00e3o \u00e9 gringo, normalmente \u00e9 cheio de experi\u00eancia internacional. Cris afirma\u00a0que h\u00e1 um esfor\u00e7o grande para respeitar os c\u00f3digos mais atuais de trabalho. A hierarquia tradicional foi a primeira a sair\u00a0de lado. Na Nubank, os times s\u00e3o divididos nos\u00a0chamados\u00a0<em>squads<\/em>, que variam de 10 a 50 pessoas. Ali tem tudo o que a equipe precisa para resolver os problemas com independ\u00eancia. Na \u00e1rea de fatura do cart\u00e3o, por exemplo, h\u00e1 profissionais de v\u00e1rias \u00e1reas, como designers e profissionais de atendimento. Cris, avessa \u00e0 burocracia sem necessidade, fala a respeito:\u00a0\u201cOs funcion\u00e1rios se viram, t\u00eam o sentimento e\u00a0a responsabilidade de dono. O processo tem que servir ao neg\u00f3cio, n\u00e3o o contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>A aura colaborativa, de se ajudar e respeitar as diferen\u00e7as, tamb\u00e9m \u00e9 algo importante para a startup. Cerca de 30% da equipe \u00e9\u00a0LGBT. Por enquanto n\u00e3o h\u00e1 nenhum transexual, mas eles j\u00e1 oferecem banheiro sem defini\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Cerca de 40% do time \u00e9 feminino, algo raro para uma empresa de tecnologia.\u00a0\u201cQueremos deixar isso ainda mais equilibrado\u201d, diz Cris. Internamente, a ideia \u00e9 que as pessoas se policiem para manter o clima de respeito. \u201cO ambiente \u00e9 t\u00e3o legal que as pessoas se empenham para n\u00e3o estragar, para n\u00e3o fazer piadas de mau gosto.\u201d<\/p>\n<h3>COMO SER UM SUCESSO DE P\u00daBLICO SEM INVESTIR EM PUBLICIDADE<\/h3>\n<p>Olhando para marketing, o Nubank tamb\u00e9m nunca investiu um real sequer em publicidade e divulga\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o parece ter feito falta: o crescimento da empresa aconteceu de forma org\u00e2nica, impulsionado pela novidade do produto e por\u00a0a\u00e7\u00f5es de atendimento ao cliente que viralizaram nas redes sociais. Mas\u00a0n\u00e3o se engane: construir algo assim d\u00e1 ainda\u00a0mais trabalho para organizar e coordenar internamente.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ambiente que se formou o\u00a0<em>squad<\/em>\u00a0respons\u00e1vel pelo que o Nubank chama de \u201cefeito Wow\u201d, aquele que fideliza clientes e faz a empresa bombar nas redes sociais. \u00c9 preciso ter vivido em Marte nos \u00faltimos dois anos para n\u00e3o topar com algu\u00e9m compartilhando uma hist\u00f3ria dessas na timeline. Entre as mais famosas est\u00e3o a do cliente que ligou para reclamar que a compra de um lanche foi cobrada duas vezes e, al\u00e9m de ter o valor estornado, recebeu uma simp\u00e1tica sanduicheira roxa em casa com receitas de lanches escritas \u00e0 m\u00e3o pelo atendente.<\/p>\n<p>A lista de hist\u00f3rias \u00e9 grande e Cris diz que as a\u00e7\u00f5es funcionam porque s\u00e3o genu\u00ednas, fruto de um time que se esfor\u00e7a para ser criativo e surpreender. \u00c9 algo\u00a0levado t\u00e3o a s\u00e9rio que os autores das ideias mais legais recebem um pr\u00eamio l\u00e1 dentro, entregue a cada dois meses.<\/p>\n<p>\u201cSempre buscamos tratar as pessoas de forma humana. Se algu\u00e9m liga para bloquear o cart\u00e3o porque foi assaltado, a primeira coisa que temos que fazer \u00e9 perguntar se o cliente est\u00e1 bem\u201d, diz.\u00a0Nesses dois anos de Nubank, Cris percebeu que o jeito informal do atendimento pode n\u00e3o agradar todo mundo \u2014 e tudo bem tamb\u00e9m.\u00a0\u201cTentamos seguir o tom que o cliente usa, mais ou menos informal. Mas se ele quer ser chamado de senhor, este n\u00e3o \u00e9 o cart\u00e3o de cr\u00e9dito para ele\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de gerenciar a expans\u00e3o r\u00e1pida dentro de casa, o Nubank precisou administrar um problema um tanto quanto inusitado: a ansiedade e as expectativas dos f\u00e3s da marca. \u201cAs pessoas pedem o cart\u00e3o e seguramos a aprova\u00e7\u00e3o de acordo com a an\u00e1lise de cr\u00e9dito. Foi esse o controle que encontramos, desde o come\u00e7o, porque n\u00e3o d\u00e1vamos conta do ritmo\u00a0de pedidos\u201d, diz ela.<\/p>\n<h3 class=\"page-title\" style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.elogroup.us\/newsite\/negocios\/14-startups-de-san-francisco-para-ficar-de-olho-em-2018\/\"><span style=\"color: #0000ff;\">14 startups de San Francisco para ficar de olho em 2018<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Sem planejar, essa demora em\u00a0atender os pedidos acabou envolvendo o Nubank em uma aura de cobi\u00e7a.\u00a0De t\u00e3o ansiosos, muitos clientes\u00a0chegavam a postar foto do cart\u00e3o, expondo\u00a0todos os n\u00fameros, nas redes sociais assim que o recebiam. \u201cEra um tal da gente ligar e avisar que ter\u00edamos de cancelar o cart\u00e3o e enviar outro por causa do risco de fraude\u201d, conta Cris. A solu\u00e7\u00e3o foi criar um envelope com o logotipo da marca, mas capaz de esconder os n\u00fameros, al\u00e9m de refor\u00e7ar os avisos de que n\u00e3o \u00e9 muito prudente postar as informa\u00e7\u00f5es do cart\u00e3o de cr\u00e9dito por a\u00ed.<\/p>\n<h3>P\u00c9 NO FREIO TAMB\u00c9M FAZ PARTE<\/h3>\n<p>Foi preciso algum tempo, mas a empresa percebeu que colocar o p\u00e9 no freio \u00e9 essencial. Al\u00e9m de entender que o Nubank pode n\u00e3o ser a melhor solu\u00e7\u00e3o para todos os clientes, a cofundadora tamb\u00e9m precisou ser mais seletiva para atender a imprensa. Pelas contas dela, a cada oito horas \u00e9 publicada uma mat\u00e9ria sobre o Nubank, inclusive em ve\u00edculos internacionais. Se ela for dar tanta entrevista, n\u00e3o sobra tempo para muita coisa.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m\u00a0segura a onda quando questionada sobre o futuro da empresa: \u201cAs coisas aconteceram t\u00e3o r\u00e1pido at\u00e9 aqui que as vezes \u00e9 dif\u00edcil at\u00e9 mesmo fazer um balan\u00e7o. O ano de\u00a02015 foi para provar que n\u00f3s fazemos sentido, j\u00e1 2016 foi a hora de cuidar da funda\u00e7\u00e3o, da casa, do time e da estrutura. Em 2017\u00a0pensamos em coisas novas, n\u00e3o s\u00f3 em resolver problemas\u201d.<\/p>\n<p>A empresa\u00a0encerrou 2016 atendendo a um pedido que ouviu muito nos \u00faltimos 2 anos: a cria\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de recompensas. Em setembro, lan\u00e7aram o Nubank Rewards, que promete ser mais vantajoso que os tradicionais programas de ac\u00famulo de milhagens (ainda que\u00a0publica\u00e7\u00f5es especializadas tenham reagido com alguma frieza). O servi\u00e7o \u00e9 opcional e, quem optar por ele, paga assinatura a partir de 190 reais por ano. O programa d\u00e1 um ponto para cada real gasto, que pode ser usado para abater servi\u00e7os espec\u00edficos, como Uber e Spotify, ou compras na fatura do cart\u00e3o.<\/p>\n<p>A Cris tamb\u00e9m toma f\u00f4lego para olhar mais longe e pensar no papel da empresa na sociedade. \u201cTenho refletido muito sobre o futuro da minha filha como mulher\u201d, diz, sobre a\u00a0constata\u00e7\u00e3o de que o sexo feminino ainda enfrenta dificuldades para alcan\u00e7ar seu potencial. Ela cita\u00a0um dado da consultoria McKinsey: o acesso mais pleno das mulheres \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao mercado de trabalho aumentaria em 12 trilh\u00f5es de d\u00f3lares o PIB global. Com isso em mente, Cris diz\u00a0estar disposta a come\u00e7ar a mudar este jogo.<\/p>\n<p>Quer saber mais?Confira a entrevista, em 2016, de David Tel\u00e9s para a Gizmodo Brasil.<\/p>\n<h4><strong>Gizmodo Brasil: Como voc\u00ea veio parar em S\u00e3o Paulo?<\/strong><\/h4>\n<p><strong>David Vel\u00e9z:<\/strong>\u00a0Comecei trabalhando para um fundo de private equity americano chamado General Atlantic, nos EUA, e eles queriam abrir um escrit\u00f3rio no Brasil.<\/p>\n<p>Acho que eu era o mais pr\u00f3ximo de um brasileiro que eles conheciam. A\u00ed me mudei para S\u00e3o Paulo em 2008, onde comecei a olhar de perto muitas ind\u00fastrias e oportunidades para investir.<\/p>\n<p>Fiquei trabalhando com eles por tr\u00eas anos e depois voltei para os Estados Unidos para fazer MBA. Neste per\u00edodo, comecei a trabalhar com a Sequoia Capital [fundo que investiu em empresas como YouTube, WhatsApp, Google, entre outras] e voltei ao Brasil. Cheguei a um ponto que fiquei cansado de investir, pois \u00e9 muito f\u00e1cil chegar no empreendedor e ficar dizendo \u201ccres\u00e7a mais r\u00e1pido\u201d, \u201ccontrate pessoas melhores\u201d, \u201cfa\u00e7a um produto melhor\u201d. Dif\u00edcil \u00e9 estar do outro lado.<\/p>\n<p>Eu sa\u00ed da Sequoia e comecei a pensar em uma s\u00e9rie de ideias. E a\u00ed eu cheguei a esse conceito do Nubank.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil:<\/strong>\u00a0<strong>As startups s\u00e3o criadas para solucionar algum problema. De onde veio a ideia do Nubank?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z:<\/strong>\u00a0A ideia come\u00e7ou quando me mudei para o Brasil e queria abrir uma conta no banco. Fui a uma ag\u00eancia e tive uma experi\u00eancia horr\u00edvel.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, tive que deixar meu telefone e minha mala em um arm\u00e1rio. Depois, passei pela porta girat\u00f3ria e fiquei travado l\u00e1 dentro. Ap\u00f3s passar pela porta, demorei meia hora para falar com o gerente que, por sua vez, pediu diversas vias de documentos. Creio que este foi o ponto inicial: vivenciar a burocracia de abrir uma conta em um banco.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s me tornar um cliente, passei a notar como tudo era caro. Lembro-me que meu primeiro cart\u00e3o de cr\u00e9dito tinha juros rotativos de 450%. Nunca tinha visto isso em nenhum outro lugar do mundo. Pagava os maiores juros do mundo, tarifas para todo o lado e a experi\u00eancia dependia muito de uma ag\u00eancia banc\u00e1ria, tudo cheio de burocracia e com\u00a0pre\u00e7os altos.<\/p>\n<p>Pensei nesta oportunidade de neg\u00f3cio e se isso era compat\u00edvel com o mercado de tecnologia local. O Brasil tem uma grande ado\u00e7\u00e3o de smartphone e sempre foi destaque em quase todas as plataformas sociais (como Facebook, WhatsApp e Twitter), ent\u00e3o por que n\u00e3o criar um banco usando tecnologia?<\/p>\n<p>Quer\u00edamos solucionar o problema do banco, e fazer isso no Brasil \u00e9 um projeto bem grande. Pensamos, ent\u00e3o, em um produto inicial para come\u00e7ar uma marca.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil: Ent\u00e3o, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e9 apenas o primeiro passo do Nubank para algo maior?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z:<\/strong>\u00a0Acho que sim. N\u00f3s\u00a0achamos que somos o futuro do servi\u00e7o financeiro no Brasil, n\u00e3o do cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Em algum momento, quando fizer sentido ter outros produtos financeiros, o faremos. Agora, estamos bem focados em cart\u00e3o de cr\u00e9dito, pois \u00e9 um produto bacana, e a maioria dos consumidores t\u00eam muitos problemas e pagam tarifas altas.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil: Com o produto criado, como voc\u00eas fizeram crescer a ades\u00e3o a um servi\u00e7o financeiro que n\u00e3o \u00e9 conhecido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z<\/strong>:\u00a0Nossa ideia foi transformar um produto chato em um produto de desejo que solucionasse um problema bem espec\u00edfico. Tamb\u00e9m pensamos que este cart\u00e3o deveria ser bom, pois isso seria primordial para a divulga\u00e7\u00e3o viral.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, come\u00e7amos a priorizar a experi\u00eancia do consumidor: o processo de ades\u00e3o \u00e9 todo feito via smartphone para desburocratizar o processo, criamos um bom servi\u00e7o de atendimento ao cliente e n\u00e3o cobramos tarifas. O foco era fazer um produto t\u00e3o bom que fosse vendido no boca a boca.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil: Como foi o in\u00edcio? Quem foram os primeiros clientes do Nubank?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z:<\/strong>\u00a0No come\u00e7o, havia muitos clientes perguntando quem n\u00f3s \u00e9ramos, se era seguro e confi\u00e1vel. \u00c9 um processo inicial de ado\u00e7\u00e3o. Nossos primeiros clientes foram early adopters, que tomam um \u201crisco\u201d e depois come\u00e7am a falar para os outros da experi\u00eancia, e isso fez com que a curva de ado\u00e7\u00e3o crescesse.<\/p>\n<p>Os primeiros clientes fomos n\u00f3s, os 12 primeiros funcion\u00e1rios. Depois anunciamos nosso primeiro investimento, quando aparecemos na m\u00eddia pela primeira vez. Com isso, recebemos 1.500 pedidos de pessoas para ter o cart\u00e3o. E a\u00ed come\u00e7ou a se espalhar.<\/p>\n<p>O mercado de cart\u00e3o de cr\u00e9dito tem muito sofrimento e frustra\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea consegue mostrar que resolve alguns desses problemas, isso j\u00e1 causa uma grande impress\u00e3o nesses clientes.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil: Como voc\u00eas fazem para se manter sem cobrar anuidades dos clientes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z:<\/strong>\u00a0Todos os cart\u00f5es do Brasil ganham dinheiro com uma porcentagem de compra e tarifas.\u00a0Nossa meta foi criar uma infraestrutura t\u00e3o eficiente que n\u00e3o \u00edamos cobrar tarifas. Nossa ideia \u00e9 viabilizar o neg\u00f3cio apenas com a porcentagem que recebemos.<\/p>\n<p>Imagine o quanto que os bancos investem em ag\u00eancias f\u00edsicas. S\u00f3 a avenida Brigadeiro Faria Lima, em S\u00e3o Paulo, tem 95 ag\u00eancias e muitas t\u00eam unidades quase vizinhas. Se a gente n\u00e3o tem ag\u00eancia, n\u00f3s n\u00e3o temos que cobrar tarifas.<\/p>\n<p>No final das contas, \u00e9 um modelo que lembra um pouco a competi\u00e7\u00e3o entre a rede Blockbuster e a\u00a0Netflix. A Netflix n\u00e3o tem\u00a0lojas, ent\u00e3o conseguia passar ativos para o cliente final.<\/p>\n<p>O ponto \u00e9: procuramos ser muito eficientes nas opera\u00e7\u00f5es para repassar isso ao cliente. Nisso, cada detalhe conta. Os bancos convencionais precisam mandar extratos de papel pelos Correios, investem em embalagem etc. Isso sem contar\u00a0a proposta para abertura de conta com v\u00e1rios pap\u00e9is, que depois s\u00e3o submetidos a uma central de opera\u00e7\u00f5es para aprovar ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o temos isso. S\u00e3o algoritmos que pegam todas as informa\u00e7\u00f5es submetidas ao nosso aplicativo e que avaliam os dados para aprovar ou n\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o investimos em marketing, pois todo o processo \u00e9 via boca a boca.<\/p>\n<p>No fim, nossos custos acabam sendo bem baixos e tudo isso faz com que a gente n\u00e3o precise cobrar tarifas.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil: Os bancos contratam call centers para atender aos clientes, mas voc\u00eas concentram tudo aqui no escrit\u00f3rio. Por que isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z:<\/strong>\u00a0A maior parte dos bancos v\u00ea o servi\u00e7o ao cliente como um custo. Ent\u00e3o, eles v\u00e3o sempre tentar minimizar como puderem, e uma das formas mais comuns \u00e9 a terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fizemos o oposto. O custo com atendimento do cliente \u00e9 uma venda. Por isso, prestar um bom suporte \u00e9 uma parte vital, pois ele ajuda na propaganda boca a boca. A gente v\u00ea que as pessoas gostam bastante de nosso atendimento.<\/p>\n<p>Como vemos o cliente conceitualmente de forma diferente, a gente contrata pessoas muito boas do mercado. Geralmente, gente jovem, com faculdade boa e bom treinamento. Elas est\u00e3o na maior parte do dia falando com os clientes, mas tamb\u00e9m participam na melhoria do produto.<\/p>\n<p>H\u00e1 um exerc\u00edcio para entender o que levou o cliente a entrar em contato e se h\u00e1 alguma forma de incorporarmos algo no aplicativo para fazer ele n\u00e3o precisar entrar novamente em contato. Tudo oposto ao que o mercado brasileiro faz.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil: Como voc\u00eas escolhem quem ter\u00e1 um cart\u00e3o de cr\u00e9dito Nubank?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z:<\/strong>\u00a0\u00c9 um\u00a0modelo com um monte de vari\u00e1veis. Desde consultar base de dados do mercado (Serasa, Boa Vista, SPC e afins), informa\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito da pessoa, um monte de vari\u00e1veis sobre hist\u00f3rico de cr\u00e9dito das pessoas.<\/p>\n<p>A gente tamb\u00e9m repara em quem convida e se a pessoa foi convidada por algu\u00e9m com bom cr\u00e9dito \u2014 geralmente, as pessoas t\u00eam amigos com h\u00e1bitos parecidos, ent\u00e3o, bons pagadores costumam atrair outros bons pagadores.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil: Voc\u00ea comentou que no futuro a ideia \u00e9 n\u00e3o ter mais cart\u00e3o. Queria que voc\u00ea falasse dessas parcerias com sistemas de pagamento m\u00f3vel, como Apple Pay\u00a0e Samsung Pay.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z:<\/strong>\u00a0A gente est\u00e1 olhando todas essas tecnologias. Todas est\u00e3o alinhadas com nossa ideia de usar a tecnologia para melhorar a experi\u00eancia do consumidor. Faz sentido que fa\u00e7a parte de nosso road plan.<\/p>\n<p>O cart\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e9 como o Netflix, quando ainda era um servi\u00e7o que entregava DVDs na casa das pessoas. Talvez, no futuro, seja tudo pagamento digital, sem necessidade do cart\u00e3o f\u00edsico.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil: Recentemente, voc\u00eas passaram por uma rodada de investimento. Tem algum objetivo espec\u00edfico que voc\u00ea possa comentar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z:<\/strong>\u00a0Nada diferente. A ideia \u00e9 aumentar a nossa base, manter nossa estrutura neste pr\u00e9dio, contratar mais pessoas e receber mais clientes.<\/p>\n<p><strong>Gizmodo Brasil: Existem planos de levar o Nubank para outros pa\u00edses? Por que voc\u00ea decidiu come\u00e7ar o servi\u00e7o\u00a0no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vel\u00e9z<\/strong>: O Brasil tem 55% do PIB e da popula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, ent\u00e3o faz sentido come\u00e7ar pelo maior pa\u00eds. H\u00e1 um mercado grande e com alta penetra\u00e7\u00e3o de smartphone comparado com outros pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quem sabe? Os pa\u00edses emergentes t\u00eam uma grande quantidade de millennials e eles s\u00e3o exatamente nosso p\u00fablico-alvo. Eles querem ter uma experi\u00eancia financeira diferente da dos seus pais, que iam a uma ag\u00eancia e tomavam caf\u00e9 com o gerente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"newsletter-b1ce8365349ea567ce4c\"><\/div>\n<p><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/d335luupugsy2.cloudfront.net\/js\/rdstation-forms\/stable\/rdstation-forms.min.js\"><\/script><br \/>\n<script type=\"text\/javascript\">\n  new RDStationForms('newsletter-b1ce8365349ea567ce4c-html', 'UA-87602300-1').createForm();\n<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine um cart\u00e3o de cr\u00e9dito internacional, com bandeira MasterCard, sem anuidade e uma s\u00e9rie de controles feitos com um simples aplicativo m\u00f3vel extremamente f\u00e1cil de usar. Um produto desligado de institui\u00e7\u00f5es financeiras, bancos ou qualquer outra coisa regulamentada pela enorme burocracia brasileira. 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