{"id":1213,"date":"2018-06-29T16:47:47","date_gmt":"2018-06-29T16:47:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.elogroup.us\/newsite\/?p=1213"},"modified":"2018-07-07T16:48:35","modified_gmt":"2018-07-07T16:48:35","slug":"serie-fundadores-9-john-mackey-e-o-whole-foods-market","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.elogroup.us\/newsite\/serie-fundadores-9-john-mackey-e-o-whole-foods-market\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie Fundadores #9: John Mackey e o Whole Foods Market"},"content":{"rendered":"<p>Quem chega a uma loja da rede de supermercados Whole Foods pela primeira vez fica com a impress\u00e3o inicial de entrar em uma loja descolada por\u00e9m bem cuidada. Andando pelos corredores, a impress\u00e3o inicial se expande ao observar que voc\u00ea n\u00e3o conhece nenhum dos produtos ali expostos, mas a surpresa \u00e9 positiva pois eles brindam seus sentidos: Produtos de limpeza em embalagens que mais parecem de perfumes, sucos em combina\u00e7\u00f5es ex\u00f3ticas, bolachinhas com peda\u00e7os generosos de am\u00eandoas, frutas de cenas de filmes, sushis com arroz integral.<\/p>\n<p>Por\u00e9m o Whole Foods n\u00e3o\u00a0brinca apenas\u00a0com os sentidos, mas tamb\u00e9m\u00a0expande a compreens\u00e3o do papel do empreendedorismo e da inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1978, John Mackey tinha 25 anos, era vegetariano e estudava filosofia na Universidade do Texas. O que faz um estudante de filosofia a n\u00e3o ser pensar? Entre um pensamento e outro, ele chegou a conclus\u00e3o de que v\u00e1rias empresas eram hip\u00f3critas ao defender alguns valores para depois se contradizer na execu\u00e7\u00e3o. Sua maior birra era com uma rede de supermercado chamada Safeway que dizia que vendia alimentos saud\u00e1veis. Provocado com o argumento de que s\u00f3 pensava e n\u00e3o fazia nada, pediu dinheiro emprestado da fam\u00edlia e junto com a namorada abriu um emp\u00f3rio de alimentos naturais com o sugestivo nome de Saferway. Os dois anos iniciais foram muito dif\u00edceis. O casal morava na parte de cima da loja e n\u00e3o havia chuveiro. Para complicar, as vendas nunca decolaram e a empresa quase fechou.<\/p>\n<p>Dois anos depois, John e Renee fizeram parceria com Craig Weller e Mark Skiles para unir a SaferWay com a Clarksville Natural Grocery, resultando na abertura do Whole Foods Market original em 20 de setembro de 1980. Com 975,48 metros quadrados e uma equipe de 19 pessoas, a loja era bastante grande em compara\u00e7\u00e3o com as lojas padr\u00f5es de alimentos saud\u00e1veis da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Menos de um ano depois, no Memorial Day em 1981, a pior inunda\u00e7\u00e3o em 70 anos devastou a cidade de Austin. O estoque da loja foi destru\u00eddo nas \u00e1guas da inunda\u00e7\u00e3o e a maioria dos equipamentos foi danificada.<\/p>\n<p>As perdas foram de aproximadamente US$ 400.000 e o Whole Foods Market n\u00e3o tinha seguro. Clientes e vizinhos voluntariamente se juntaram \u00e0 equipe para reparar e limpar os preju\u00edzos. Os credores, os vendedores e os investidores permitiram que a loja voltasse a levantar e fosse reaberta apenas 28 dias ap\u00f3s a inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>EXPANS\u00c3O<\/h3>\n<p>Apesar da cat\u00e1strofe, tr\u00eas anos depois a rede inaugurou outra loja na cidade de Houston, sendo a primeira fora dos dom\u00ednios de Austin, seguida por uma unidade em Dallas. No final desta d\u00e9cada, a rede ingressou nos estados da Louisiana (Nova Orleans) e Calif\u00f3rnia (Palo Alto). A WHOLE FOODS MARKET cresceu rapidamente nos anos seguintes atrav\u00e9s de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es de outras redes e lojas menores, inaugurando novas unidades em v\u00e1rias cidades, como por exemplo, Los Angeles, Detroit e Boston.<\/p>\n<p>A cent\u00e9sima loja da rede foi inaugurada em 1999 na cidade de Torrance, localizada na Calif\u00f3rnia. Para consolidar o sucesso de uma vez por todas a rede inaugurou seu primeiro supermercado em plena Manhattan no ano de 2001, atraindo a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e de grandes investidores. Nesta \u00e9poca, o posicionamento diferenciado como um varejista de alt\u00edssima qualidade em produtos org\u00e2nicos e comidas gourmet fez surgir uma legi\u00e3o de clientes fi\u00e9is, muito deles famosos, dando assim a WHOLE FOODS MARKET uma enorme visibilidade. No ano seguinte inaugurou sua primeira loja fora dos Estados Unidos na cidade de Toronto no Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Poucos anos depois, a WHOLE FOODS MARKET atravessou o Oceano Atl\u00e2ntico e comprou cinco lojas da rede Fresh &amp; Wild em Londres no ano de 2004, iniciando assim sua entrada no continente europeu. Somente tr\u00eas anos mais tarde, em junho de 2007, inaugurou uma enorme loja pr\u00f3pria (com tr\u00eas andares) na capital brit\u00e2nica com 7.400m\u00b2 em High Street Kensington. A gigantesca loja \u00e2ncora oferece uma variedade de produtos de pequenos produtores, tudo bem natural. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel comprar p\u00e3es frescos, coisa dif\u00edcil de encontrar em Londres, frutos do mar, at\u00e9 produtos cosm\u00e9ticos, tudo a base de produtos naturais. No dia 16 de novembro de 2011 a rede inaugurou sua primeira unidade na Esc\u00f3cia, localizada em Giffnock, um sub\u00farbio de Glasgow.<\/p>\n<h3>O CONCEITO NATURAL<\/h3>\n<p>A empresa somente vende em suas lojas produtos naturais, que ela pr\u00f3pria define como: alimentos minimamente processados, livres de gorduras hidrogenadas, corantes, ado\u00e7antes, conservantes e sabores artificiais. A WHOLE FOODS MARKET tamb\u00e9m n\u00e3o vende nenhum tipo de carne e leite proveniente de animais clonados ou criados com m\u00e9todos que usem est\u00edmulos qu\u00edmicos, al\u00e9m de n\u00e3o comercializar o pat\u00ea de f\u00edgado de ganso em virtude do m\u00e9todo cruel de fabrica\u00e7\u00e3o. Muitos produtos vendidos em suas lojas possuem certificados que atestam a produ\u00e7\u00e3o sem agredir o meio-ambiente. A empresa tamb\u00e9m prioriza a compra de fornecedores locais, n\u00e3o coloca em suas g\u00f4ndolas alimentos que contenham algum dos 100 ingredientes que ela considera nocivos \u00e0 sa\u00fade humana ou ao meio-ambiente e gerencia uma funda\u00e7\u00e3o que luta para que os animais sejam criados e abatidos de maneira digna, entre outras iniciativas.<\/p>\n<p>Tudo isso em total alinhamento como o lema da empresa: \u201cWhole Foods, Whole People, Whole Planet\u201d (\u201cComida S\u00e3, Pessoas S\u00e3s, Planeta S\u00e3o\u201d), alcan\u00e7ando a miss\u00e3o de encontrar sucesso na satisfa\u00e7\u00e3o e bem estar do cliente, felicidade e excel\u00eancia do funcion\u00e1rio, real\u00e7ar os valores do acionista, apoiar a comunidade e melhorar o meio-ambiente. Recentemente a rede lan\u00e7ou o programa The Kids Foods Adventure em parceria com o chef Jehangir Mehta. A ideia \u00e9 encorajar pais e crian\u00e7as a se aventurarem na alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel.<\/p>\n<h3>A POL\u00cdTICA DO WHOLE FOODS<\/h3>\n<p>Desde o dia da inunda\u00e7\u00e3o da loja Whole Foods no Texas, onde a ajuda da comunidade fez com que a loja fosse reaberta apenas 28 dias depois,\u00a0a miss\u00e3o da empresa\u00a0viria a ser a de servir, de fato, seus clientes, vizinhos, colaboradores, credores, vendedores e acionistas.<\/p>\n<p>Entre as v\u00e1rias pol\u00edticas da empresa, h\u00e1 a de n\u00e3o comprar alimentos que tenham ingredientes artificiais. Isto afasta todas as grandes empresas de alimentos que conhecemos. A empresa tamb\u00e9m se propunha a comprar de fornecedores locais desde que estes se comprometessem a produzir os alimentos mais naturais ou org\u00e2nicos poss\u00edvel. Em troca, a Whole Foods ajuda na melhoria do processo produtivo, log\u00edstica e at\u00e9 no desenvolvimento das lindas embalagens que s\u00e3o vistas na loja.<\/p>\n<h3>O CAPITALISMO CONSCIENTE DE MACKEY<\/h3>\n<p>Mais recentemente, John Mackey recuperou seu lado fil\u00f3sofo e criou um conceito que chamou de Capitalismo Consciente, que defende o que a Whole Foods faz na pr\u00e1tica. Mais do que sugerir melhores pr\u00e1ticas, o Capitalismo Consciente prega um pensamento mais profundo a respeito do capitalismo e seus impactos, onde as empresas devem se guiar por um prop\u00f3sito maior do que o de lucrar e remunerar investidores.<\/p>\n<p>\u201cPensar \u00e9 um das atividades mais dif\u00edceis, por isso, h\u00e1 t\u00e3o poucas pessoas que se dediquem a isso\u201d \u2013 disse certa vez Henry Ford. E isso tamb\u00e9m se aplica aos empreendedores. Todos com certeza partem para a a\u00e7\u00e3o, caso contr\u00e1rio n\u00e3o seriam empreendedores. Mas s\u00e3o poucos os que param para pensar rotineiramente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, para provar que o tal Capitalismo Consciente \u00e9 vi\u00e1\u00advel, quando d\u00e1 entrevistas Mackey precisa falar sobre o modus operandi do Whole Foods. Afinal, s\u00e3o poucos os neg\u00f3cios que exemplificam de maneira t\u00e3o clara os ideais que ele defende. Na empresa, por exemplo, a disparidade de sal\u00e1rios entre a c\u00fapula e os funcion\u00e1rios de n\u00edvel operacional n\u00e3o ultrapassa 20 vezes, ante a m\u00e9dia americana de 200.<\/p>\n<p>Em entrevista a revista <a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/\">EXAME<\/a>, o CEO do Whole Foods responde perguntas sobre o capitalismo consciente e como funciona a opera\u00e7\u00e3o da empresa:<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 Quais s\u00e3o os princ\u00edpios do chamado Capitalismo Consciente?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 O primeiro princ\u00edpio \u00e9 que todo neg\u00f3cio deve ser guiado por um prop\u00f3sito maior do que o de fazer dinheiro. O Whole Foods \u00e9 movido pelo desejo de ajudar as pessoas a ser mais saud\u00e1veis. O segundo princ\u00edpio \u00e9 que voc\u00ea precisa criar valor para todos os p\u00fablicos com os quais se relaciona.<\/p>\n<p>Reina no mundo dos neg\u00f3cios o racioc\u00ednio de que se algu\u00e9m est\u00e1 se dando bem, como seus funcion\u00e1rios, algu\u00e9m est\u00e1 se dando muito mal, provavelmente os fornecedores ou os acionistas.<\/p>\n<p>Trata-se de uma l\u00f3gica equivocada. Nossa experi\u00eancia mostra que fornecedores e funcion\u00e1rios satisfeitos prestam um servi\u00e7o melhor, e isso deixa os clientes felizes. E clientes felizes s\u00e3o a melhor publicidade para um neg\u00f3cio \u2014 e isso beneficia os acionistas.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 O movimento do Capitalismo Consciente pode ser bem-sucedido?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 O Capitalismo Consciente tem se alastrado. N\u00e3o exatamente com esse nome, mas os valores que pregamos t\u00eam se espalhado porque eles d\u00e3o resultado. E, nos neg\u00f3cios, tudo o que d\u00e1 resultado se espalha muito rapidamente.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o fosse bom para uma empresa ter um prop\u00f3sito maior do que o de ganhar dinheiro ou se preocupar com todos os seus stakeholders, n\u00f3s n\u00e3o ter\u00edamos crescido tanto. Mas admito que n\u00e3o se trata de uma f\u00f3rmula simples. Nas empresas h\u00e1 sempre uma luta entre os \u201cpuristas\u201d e os \u201cpragm\u00e1ticos\u201d.<\/p>\n<p>Os puristas nunca buscam atalhos, nunca se comprometem. E, quando falo de atalhos, n\u00e3o me refiro a a\u00e7\u00f5es anti\u00e9ticas ou ilegais. J\u00e1 os pragm\u00e1ticos buscam maneiras de suprir as demandas do mercado de forma leg\u00edtima.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 Em algum momento o senhor se sentiu tentado a tomar esses atalhos?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 Claro. Sou vegano (n\u00e3o come nenhum produto de origem animal) e sei que meus amigos veganos acham que eu sou um hip\u00f3crita por vender carne de origem animal no Whole Foods. Mas apenas 0,5% da popula\u00e7\u00e3o americana \u00e9 vegana.<\/p>\n<p>E o que eu fa\u00e7o com o resto? As empresas precisam dos puristas mas tamb\u00e9m dos pragm\u00e1ticos para lidar com o que as pessoas querem. Sou idealista, mas realista. Um l\u00edder deve ter intelig\u00eancia emocional e espiritual. Capacidade de ter empatia pelos outros. Um executivo pode ser brilhante, mas, se for um idiota com as pessoas, n\u00e3o trabalhar\u00e1 conosco.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 No Whole Foods, uma pessoa \u00e9 submetida a um per\u00edodo de testes de at\u00e9 90 dias e s\u00f3 \u00e9 contratada se passar pelo crivo de dois ter\u00e7os da equipe com quem ela vai trabalhar. O que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 Acreditamos que cada equipe \u00e9 \u00fanica e que \u00e9 muito importante que seus membros tenham voz na contrata\u00e7\u00e3o de um novo integrante. O desempenho do time depende da coopera\u00e7\u00e3o de todos. E pode-se enganar o chefe, mas ningu\u00e9m engana os colegas por muito tempo.<\/p>\n<p>Uma equipe dedicada e unida n\u00e3o vai querer um pregui\u00e7oso no grupo. Nenhuma equipe \u00e9 t\u00e3o forte at\u00e9 rejeitar algu\u00e9m, porque esse passo fortalece a identidade do time.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 O Whole Foods \u00e9 conhecido por n\u00e3o vender centenas de produtos. Como a rede define o que vende?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 Temos um grupo de especialistas que analisam a qualidade dos produtos que vendemos. O trabalho deles \u00e9 fazer recomenda\u00e7\u00f5es. N\u00f3s n\u00e3o boicotamos marcas como Coca-Cola. Mas temos uma lista de ingredientes que n\u00e3o podem ser vendidos e, se um produto tem algum desses ingredientes, ele n\u00e3o estar\u00e1 em nossas g\u00f4ndolas.<\/p>\n<p>Vendemos refrigerantes, mas eles n\u00e3o cont\u00eam aspartame, corantes e outros produtos qu\u00edmicos que julgamos prejudiciais. N\u00e3o somos os donos da verdade, mas tomamos a decis\u00e3o de n\u00e3o vender o que acreditamos n\u00e3o ser bom.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 Voc\u00eas foram apelidados de whole paycheck, ou \u201ccontracheque inteiro\u201d, porque sempre foram careiros. Recentemente, a rede tem promovido campanhas agressivas de descontos. Por que isso agora?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 Sempre demos dicas para que nossos clientes economizassem e sempre tivemos promo\u00e7\u00f5es, mas isso nunca foi muito explorado pela m\u00eddia. Recentemente, por\u00e9m, temos adotado essa estrat\u00e9gia de maneira bem mais agressiva, e n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o falar sobre ela.<\/p>\n<p>E \u00e9 claro que estamos fazendo isso, entre outros motivos, porque queremos ganhar mercado e estamos sendo pressionados pelos concorrentes. A prop\u00f3sito, estamos lan\u00e7ando pela primeira vez nos Estados Unidos uma campanha nacional que ser\u00e1 veiculada na TV.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 O Whole Foods tem 34 anos. Por que essa campanha s\u00f3 agora?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 Por muito tempo fomos uma empresa pequena, e tudo o que faz\u00edamos chamava a aten\u00e7\u00e3o. Mas o Whole Foods se transformou numa empresa grande, e h\u00e1 muita rejei\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos. As pessoas acreditam que elas s\u00e3o malignas. E a verdade \u00e9 que a m\u00eddia est\u00e1 nos atacando. Ent\u00e3o decidimos fazer uma campanha nacional para defender nossa marca.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 O Whole Foods tem aberto lojas no interior dos Estados Unidos e em cidades decadentes como Detroit. Essa estrat\u00e9gia est\u00e1 funcionando?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 Todo mundo dizia que n\u00e3o ter\u00edamos sucesso em Detroit porque as pessoas n\u00e3o teriam renda e n\u00e3o estariam interessadas em comprar comida de qualidade e saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Decidimos abrir a loja porque acreditamos que, independentemente da classe social ou da cultura, as pessoas querem criar seus filhos de forma saud\u00e1vel. A loja de Detroit foi inaugurada em maio de 2013 e tem vendido o dobro do que planej\u00e1vamos.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 O senhor se preocupa com o que pode acontecer com o Whole Foods quando n\u00e3o estiver mais l\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 As companhias saud\u00e1veis fazem a sucess\u00e3o com executivos que tenham um hist\u00f3rico s\u00f3lido na companhia e que amem seus valores. A outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 recrutar no mercado algu\u00e9m com uma mentalidade financeira. Muitas empresas fazem isso. E esses executivos trazem resultados no curto prazo porque cortam custos.<\/p>\n<p>No longo prazo, por\u00e9m, essa estrat\u00e9gia mina o que torna a empresa \u00fanica em rela\u00e7\u00e3o aos concorrentes. Recentemente, numa rede de varejo familiar americana chamada Market Basket aconteceu algo interessante. Uma parte da fam\u00edlia assumiu o controle e destituiu o presidente, que era admirado pelos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os empregados fizeram uma greve e ele voltou ao comando. Gasto boa parte de meu tempo me dedicando a fortalecer a cultura do Whole Foods. Se ela for forte, n\u00e3o adianta o conselho de administra\u00e7\u00e3o colocar no comando algu\u00e9m que v\u00e1 contra as ideias que sempre defendemos porque ele n\u00e3o conseguir\u00e1 ficar na companhia por muito tempo.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 Em 2000, o senhor quase foi demitido pelo conselho do Whole Foods. Como \u00e9 esse relacionamento hoje?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 Criei um neg\u00f3cio sozinho e contratei um conselho. Mas durante muitos anos n\u00e3o pensei \u2014 e sei que isso vai soar rid\u00edculo \u2014 que o conselho poderia me demitir. Afinal, contratei esses caras, certo? Mas, em uma empresa aberta, se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 entregando os resultados financeiros desejados, o conselho vai ficar na sua cola.<\/p>\n<p>Felizmente, recebi uma dica de que o presidente e parte do grupo orquestravam minha sa\u00edda e consegui resolver a tempo a quest\u00e3o. Isso aconteceu h\u00e1 14 anos, mas hoje entendo que os executivos se reportam, sim, ao conselho.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 Os investidores do Whole Foods acreditam no Capitalismo Consciente?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o pode impedir ningu\u00e9m de comprar suas a\u00e7\u00f5es se sua empresa est\u00e1 listada na bolsa. O que voc\u00ea pode fazer \u00e9 ser muito claro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira como conduz o neg\u00f3cio e conquistar os acionistas que merece. Sempre dizemos ao mercado que n\u00e3o gerimos o Whole Foods por trimestres.<\/p>\n<p>Tomamos decis\u00f5es hoje que s\u00f3 ser\u00e3o recompensadas l\u00e1 na frente. Os investidores que gostam desse discurso manter\u00e3o nossas a\u00e7\u00f5es por mais tempo. Os bons investidores est\u00e3o por a\u00ed e, se voc\u00ea \u00e9 transparente e claro, eles aparecem.<\/p>\n<p><strong>EXAME \u2013 E quando haver\u00e1 uma loja do Whole Foods no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>John Mackey \u2013 O Brasil \u00e9 um dos maiores pa\u00edses do mundo e poderia abrigar nossas lojas. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para o Whole Foods se internacionalizar. Nossas lojas t\u00eam cerca de 30\u2009000 itens, e n\u00e3o posso trazer minha extensa rede de fornecedores para c\u00e1 porque isso n\u00e3o faria nenhum sentido.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque valorizamos a produ\u00e7\u00e3o local dos alimentos. Precisar\u00edamos desenvolver fornecedores aqui, e isso leva tempo. De forma pragm\u00e1tica, hoje o M\u00e9xico faria muito mais sentido para n\u00f3s. Nossa matriz \u00e9 em Austin, no Texas, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira.<\/p>\n<p>Temos muitos mexicanos como funcion\u00e1rios e compramos muitos produtos frescos do pa\u00eds. Mas ainda n\u00e3o temos planos de ir para o M\u00e9xico. Espero que o Whole Foods esteja no Brasil um dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AQraMrwThac\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem chega a uma loja da rede de supermercados Whole Foods pela primeira vez fica com a impress\u00e3o inicial de entrar em uma loja descolada por\u00e9m bem cuidada. 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